As 4 piores frases que você pode dizer a um recrutador

Acredite: se você vai minimamente preparado para suas entrevistas de emprego, já está a anos-luz da maioria dos candidatos.

É raro ver profissionais que chegam à fase presencial da seleção munidos de informações básicas sobre a empresa e sobre os requisitos da vaga, diz Leonardo Berto, gerente da consultoria de recrutamento Robert Half.

“Infelizmente, a maioria deixa escapar frases ou perguntas que denotam que não investiram nem um pouco em planejamento”, completa Lucas Oggiam, gerente executivo da consultoria Page Personnel.

O motivo está, em parte, no contexto econômico do país: diante da dificuldade de encontrar emprego, muitas pessoas têm chegado mais ansiosas, nervosas ou até desesperadas ao encontro com os headhunters — e acabam falando o que não deviam.

Para evitar gafes, é melhor planejar com cuidado o seu discurso na entrevista — sem, é claro, criar um discurso robótico ou artificial, que também pode prejudicar a sua imagem.

Já ouviu o ditado “o peixe morre pela boca”? Se você quer arruinar as suas chances em uma entrevista de emprego, siga este roteiro de frases, selecionadas por especialistas:

“Já aprendi tudo o que podia no meu emprego atual”

Por que pega mal? Aos ouvidos do recrutador, esse tipo de frase soa como um atestado de arrogância. “É humanamente  impossível aprender 100% do que há disponível sobre um determinado trabalho ou segmento”, diz Oggiam. Diante de uma frase vaga como essa, o entrevistador pode imaginar que você está querendo esconder o real motivo por trás do seu desligamento de uma empresa.

O que deveria ser dito então? Se você realmente acredita que seu emprego atual já não agrega mais nada à sua carreira, a dica do gerente da Page Personnel é dizer isso fazendo referência a objetivos específicos. “É mais claro e honesto dizer que você queria aprender sobre A, B e C, e já conseguiu isso na empresa atual, e que agora quer buscar uma oportunidade que ensine sobre X, Y e Z”, explica.

“Antes de tudo, qual é o salário?”

Por que pega mal? Salário é uma questão fundamental em qualquer relação de emprego, mas as duas partes precisam abordar o tema com delicadeza. Na visão de Berto, o candidato que questiona o valor da remuneração e dos benefícios logo no primeiro encontro com o recrutador, de forma muito crua, passa a impressão de que só está interessado no dinheiro.

O que deveria ser dito então? O ideal, segundo especialistas, é deixar para o recrutador a iniciativa de tocar no assunto. Quando isso acontecer, busque apresentar dados concretos sobre o mercado, com base em pesquisas salariais, se possível, para sustentar o seu lado da negociação.

“Não fui promovido porque meu ex-chefe me perseguia”

Por que pega mal? “Esse tipo de frase sugere que o candidato é imaturo e não faz autocrítica”, afirma Berto. Quando você fala mal das pessoas com quem você trabalhou, é a sua reputação que sai ferida. Profissionais com “língua afiada” na entrevista são frequentemente vistos como pouco confiáveis e antiéticos, segundo o recrutador.

O que deveria ser dito então? Você pode fazer críticas à sua antiga chefia, desde que sejam bem fundamentadas e construtivas. Em vez de atacar características pessoais dele ou dela, é melhor apontar características do seu estilo de gestão que trouxeram prejuízo para o trabalho. Também vale explicar qual foi a sua postura diante desse desafio de relacionamento.

“Pode confiar em mim, eu sou da religião/partido X”

Por que pega mal? Não há nada menos profissional do que dizer que você deve ser contratado porque acredita numa determinada religião ou linha política. A impressão que fica é que você não está seguro das suas próprias competências, e então tenta apelar para uma identificação emocional com o headhunter.

O que deveria ser dito então? Sobre esse tipo de assunto, nada. “A entrevista serve para falar sobre trabalho, apenas”, explica Berto. “Não tente ganhar a simpatia do recrutador com base em qualquer outro argumento que não seja profissional”

Fonte EXAME
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